No 10 de Junho, celebramos Portugal, as nossas comunidades e a nossa história. Mas celebrar o País é também reconhecer as estruturas vivas que, todos os dias, protegem e transformam o nosso bem mais precioso: a saúde dos portugueses.
Se há reforma que revolucionou a face social do Portugal moderno e que serve de exemplo internacional, é o modelo das Unidades de Saúde Familiar (USF). Mais do que gabinetes de consulta, as USF são o coração de uma cultura de proximidade, agilidade e prevenção que molda o bem-estar das nossas populações, fixando profissionais e cuidando das comunidades desde os grandes centros urbanos até às regiões de menor densidade populacional.
O Impacto das USF: A Evidência
Dizer que as USF funcionam não é uma questão de opinião ou de romantismo institucional; é o que a evidência científica e os dados de saúde nos mostram de forma inequívoca. Precisamente no ano em que o modelo USF assinala 20 anos de existência, desde que as primeiras USF iniciaram atividade (2006–2026), os indicadores consolidam-no como o pilar mais eficiente do Serviço Nacional de Saúde:
- Diminuição da Pressão Hospitalar e mais eficiência: Estudos nacionais e relatórios da Entidade Reguladora da Saúde (ERS) demonstram consistentemente que as comunidades integradas em USF apresentam uma redução nos internamentos hospitalares evitáveis e das idas às urgências hospitalares por condições sensíveis a cuidados ambulatórios (como descompensações controláveis de diabetes ou hipertensão) e, ainda, mais eficiência.
- Eficácia na Prevenção: O modelo de trabalho em equipas multiprofissionais (médicos, enfermeiros e secretários clínicos) reflete-se em taxas de cobertura vacinal e rastreios oncológicos que ultrapassam frequentemente os 85% a 90% da população elegível, antecipando-se à doença antes que o “fogo” precise de ser apagado.
- Agilidade Baseada em Desempenho: A transição global para o Modelo B veio reforçar que a contratualização e a indexação de incentivos à produtividade e à qualidade clínica não só retêm talento médico e de enfermagem no terreno, como aumentam as listas de utentes cobertas com equipa de saúde familiar.
Do “Apagar Fogos” à Cultura da Entrega
Gerir a saúde de um país ou de uma região não pode ser um exercício de reação perpétua à crise. O verdadeiro espírito do 10 de Junho na saúde encontra-se na capacidade de mudar a cultura organizacional: passar de modelo reativos para culturas proativas, ágeis e descentralizadas como as dos Cuidados de Saúde Primários.
Investir, robustecer e dar autonomia às equipas das USF é garantir que a melhor evidência clínica chega, em tempo real, à casa e à vida de cada pessoa.
Hoje, agradecemos, também, a todos os profissionais que, nas USF de todo o território continental e ilhas, constroem diariamente um Portugal mais saudável, mais equitativo e mais resiliente.
Feliz Dia de Portugal!
A Direção da USF-AN